O MISTÉRIO EUCARÍSTICO E O COMPROMISSO SOCIAL

No dia 15, celebramos a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, mais conhecida como Solenidade de Corpus Christi. Celebrações Eucarísticas, procissões, adoração ao Santíssimo, manifestando publicamente a fé na presença real do Senhor no Pão e no Vinho: “Isto é o meu Corpo; este é o Cálice do meu Sangue!”
Nos dias de hoje, nem se questiona tanto esta verdade da “presença real” mas, sim, as consequências do Mistério Eucarístico em nossa vida. Transcrevo trechos do Documento 105 da CNBB: “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5, 13-14) “, em que, citando o Papa Bento XVI, insiste no “compromisso social” decorrente da Eucaristia: “O sacramento da Eucaristia tem um caráter social. A união com Cristo é ao mesmo tempo união com todos os outros a quem ele se entrega. Eu não posso ter Cristo só para mim. É necessário explicitar a relação entre o mistério eucarístico e o compromisso social abrindo-nos ao diálogo e ao compromisso em prol da justiça, à vontade de transformar também as estruturas injustas. A Igreja não deve ficar à margem da luta pela justiça”.(CNBB 105, 252 ; Bento XVI – SCa, 89).
Também a CNBB ensinou que a Eucaristia tem uma relevante dimensão social: “Pode-se dizer que a Eucaristia tem uma exigência fundamental de transformação do homem. Tanto o seu coração egoísta e pecaminoso quanto as estruturas opressoras e exploradoras devem ser transformadas pela Eucaristia, a fim de que apareça o testemunho a que a liturgia deve levar a Igreja e cada cristão.”(CNBB 105, 252).
Continuando com Bento XVI: ” … É preciso denunciar as circunstâncias que estão em contraste com a dignidade do homem. A Igreja deve inserir-se na luta pela justiça …” A partir da Eucaristia, nasce a coragem profética: “Não podemos ficar inativos perante certos processos de globalização que fazem crescer desmesuradamente a distância entre ricos e pobres em âmbito mundial. Devemos denunciar quem dilapida as riquezas da terra. É impossível calar diante dos grandes campos de deslocados ou refugiados, amontoados em condições precárias. O Senhor Jesus nos incita a tornarmo-nos atentos às situações de indigência em que vive grande parte da humanidade. Pode-se afirmar que bastaria menos da metade das somas globalmente destinadas a armamentos, para tirar de modo estável, da indigência o exército ilimitado dos pobres. Isto interpela a nossa consciência”. (CNBB 105, 253-254 ; Bento XVI – SCa, 90).
Deixemo-nos interpelar pelas palavras do Papa emérito Bento XVI e tomemos as devidas providências!
                                                                                                           Laudelino Augusto
Cristão Leigo – Agente de Pastoral

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