Pela Ética e Democracia com urgência

 

O Documento 50 da CNBB –  ÉTICA: PESSOA E SOCIEDADE, traz muitas luzes para o momento que vivemos no Brasil. De início, já afirma: “O tema da ética, na vida pública e na sociedade, pertence a todos. Sua importância e amplitude questionam todos os cristãos e pessoas de boa vontade, bem como as instituições e organizações da sociedade civil”.

Por: Laudelino Augusto

Abrindo o Documento, os cristãos bispos do Brasil manifestam solidariedade com tantas pessoas que “têm fome e sede de justiça” (Mt 5, 6) e procuram corajosamente ser fiéis aos valores humanos e evangélicos, mas sofrem pela crise ética de nossa sociedade. E, constatam : “Os sinais desta crise são evidentes e a opinião pública os aponta. Falta honradez na vida política, profissional e particular. Impressionantes são os níveis de violência, discriminação social, abuso do poder, corrupção, permissivismo, cinismo e impunidade. Chega-se à deformação das consciências, que aceitam como ‘normal’ ou ‘inevitável’ o que não tem nenhuma justificativa ética.” (CNBB 50, 1).

Nossos pastores chegam a falar em “supressão prática da ética” nessa sociedade que tende a “organizar e administrar a vida social segundo regras meramente técnicas, de acordo com os interesses do sistema econômico, reduzindo o ser humano a algo ‘fabricado’ por esse mesmo sistema, A pessoa, muitas vezes, não percebe claramente o controle exercido sobre ela, enquanto o sistema lhe garante bem-estar e uma ‘liberdade’ aparente no âmbito privado”. (CNBB 50, 28-29).

Com um pouco de senso crítico e discernimento, podemos constatar tudo isso nos dias de hoje. A própria CNBB, em suas declarações e notas, tem denunciado, profeticamente, a situação imposta ao povo brasileiro. Qual a nossa atitude? Indiferença? Omissão? Conivência? Ou indignação? Indignação, claro, não apenas como revolta, mas indignação ética que questiona, propõe e busca soluções. Nossos pastores nos incentivam: “Viver radicalmente a moral do Reino nas condições presentes, ainda marcadas pela presença do mal, que se mistura qual joio ao trigo, exige dos discípulos de Jesus capacidade de discernimento e de opção. (…) O cristão busca o que a própria sociedade pagã considera bom (Fl 4, 8), mas recusa o que é incompatível com a vontade de Deus, mesmo que isto lhe custe a perseguição e a cruz, a exemplo do Mestre. (Mt 10, 16-39)”. (CNBB 50, 88).

É um caminho exigente, mas necessário. Você topa?

Laudelino Augusto
Cristão Leigo – Agente de Pastoral

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